Estudos junto com yogues

É uma questão incrível para quem trabalha com multilinguismo, multiculturalismo e interculturalidade pensar que Yoga está tão difundido hoje no Brasil, embora não haja escolas de ensino de sânscrito, nem cursos de filosofia indiana, ou mesmo cursos de filosofia oriental nas nossas universidades.

Para conversar sobre isso com os logues, montei um semestre de leitura junto do grupo de estudos Yoga na Unicamp.

Será que nós inventamos o oriente também?  Ler textos sobre a India, e a filosofia do Yoga, que foram resultado da dominação inglesa, e de uma leitura européia da Índia é uma boa ideia? Há possibilidade de uma crítica pós-colonial de mão dupla, entre Brasil e Índia? Qual o lugar da filosofia do Yoga, do Sankhya, qual o lugar do estudo dos Upanishads em nosso aprendizado no Brasil? A teoria de sistemas complexos tem algo a ver com Yoga? Quem são nossos interlocutores no aprendizado do Yoga?

Veja aqui os textos que escolhi para lermos juntos:

<https://pt.wikiversity.org/wiki/Yoga_na_UNICAMP#Grupo_de_Estudos_Yoga_na_Unicamp_-_programa_1_semestre_de_2019>

Tarde de leituras perigosas

Até onde eu sei, sou a primeira pessoa da minha família com um título de Doutorado, e poucos de meus amigos seguiram a carreira acadêmica. Me parece uma situação comum entre meus colegas de carreira, esta novidade, ser a primeira doutora (com doutorado, não sou médica…) da família. Neste contexto, estou por alguns bons anos já explicando para pessoas queridas o que é pesquisa, o que faz a academia no Brasil, para que serve aprender a pensar com rigor, já que a rigor todo mundo (com escolaridade ou não) pensa.

Neste sentido para além de ler o que preciso ler para desenvolver a pesquisa pela qual me interesso, gosto também de ler sobre gente pensando a pesquisa que desenvolvemos no Brasil. Nem sempre são elogios, mas é sempre bom saber o que estamos pensando do trabalho que desenvolvemos.

Então resolvi criar a Tarde de Leituras Perigosas, que se resume a ler livros que analisam e muitas vezes criticam a nossa produção científica. Terças feiras das 14h as 17h estarei praticando o insidioso hábito da leitura. O livro que escolhi para começar é:

– O Colapso do Figurino Francês de Nildo Ouriques.

Eu entrei em contato com este livro através da querida Profa. Paula Vermeersch. Como de costume, as conversas sobre a natureza de nosso trabalho acadêmico e as análises e leituras possíveis da atividade intelectual em nossas terras acontecem mais nos nossos espaços de convivência, entre amigos e colegas acadêmicos do que em nossas reuniões de trabalho.

Sendo assim, pensei na atitude mais simples possível que podemos ter em relação a qualquer reflexão que abraçou a tecnologia da escrita, vou ler. A única diferença agora, é que isso ganhou um espaço. Lerei com dia e hora marcada e tenho disposição de compartilhar a leitura que se realizará com quem puder estar presente.

Então esteja convidada/o: nos dias 14 e 28 agosto , e nos dias 4, 11, 18 e 25 de setembro  de 2018 estarei realizando leituras perigosas. Se você quiser vir, estaremos na sala 204 (1 andar) do CLE-UNICAMP, o tempo que a gente tem é das 14h as 17h.

liberdade para pensar

Participar da vida de um centro de pesquisas que olha para sua produção intelectual buscando as novidades é uma ideia incrível. O centro de pesquisa viabiliza a possibilidade de uma carreira que solicita que você desenvolva pesquisa inédita e interdisciplinar, a carreira de Pesquisador. É certo que se estivesse em um instituto ou em uma faculdade estaria mais próxima da linguística, que adoro.

Trabalhar intelectualmente nestas condições é um grande presente, porque nos dá a dimensão clara do risco que se corre ao pensar de maneira autônoma e articulada na direção de algo novo.

Imagino que este tipo de percepção do trabalho acadêmico, onde trabalho, se deve em parte à influência do professor Michel Debrun. O seu interesse pelos processos de auto-organização permite entender os elementos que participam das descobertas científicas e também as mudanças de paradigma na tradição acadêmica. A escrita do Debrun promove um interesse rigoroso pelo novo e pelas mudanças.

Como algo surge assim, como dizer, do nada? Como é possível que um sistema de repente ganhe novas dinâmicas, e se modifique?

Este post é para celebrar a liberdade de pensamento, de estudo e de escrita  em que vivo. Agradecer aos colegas pelas boas conversas e por acompanharem os desafios da pesquisa com a sobriedade e a loucura que a filosofia permite.

Ah sim!

Como trabalhar com diferentes grupos sociais, inseridos em diferentes dinâmicas culturais, que falam línguas diferentes das que falamos?

Estou convencida que é com muito respeito. Buscando encontrar pontos objetivos que ao serem alcançados fortalecem a vida comunitária tradicional e ajudam a expandir a produção científica.

Comunidades e lideranças tradicionais, que muitas vezes pensam de forma rigorosamente distinta das referências que encontramos na academia, podem ser grandes aliados em um processo de crítica pos-colonial e quem sabe de descolonização.